5 dicas de livros-reportagem para comemorar o Dia do Repórter

rota-66-caco-barcellos

A vida comum, o cotidiano e todas as histórias que os cercam viram notícia e poesia por esse profissional do jornalismo: o repórter. E dia 16 de fevereiro, Dia do Repórter, é o momento de celebrar a atividade dessas pessoas que observam e narram os acontecimentos da cidade, do país e do mundo.

Para isso, a Lettera separou cinco dicas de livros-reportagem para quem gosta e admira esse trabalho sensível de pesquisa, apuração e relatar de fatos e causos.

o-olho-da-rua-eliane-brum

O olho da rua: Uma repórter em busca da literatura da vida real, Eliane Brum (2008)

Nesta obra, a jornalista gaúcha faz uma reflexão sobre o ofício de repórter. Para cada reportagem, Brum escreveu um texto sobre os dilemas que enfrentou, as escolhas que fez e os erros que cometeu. ‘O olho da rua’ pode ser considerado um diário do repórter, levando em conta que a prática da profissão exige reflexão constante.

rota-66-caco-barcellos-livro

Rota 66, Caco Barcellos (1992)

Livro de estréia do repórter Caco Barcellos, a obra traz uma investigação de mais de um ano para identificar cerca de 4.200 pessoas mortas pela ROTA (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), maior batalhão da polícia militar e o mais “matador” do país. O livro aborda os nomes e detalhes das mortes causadas pelos oficiais da ROTA contra pessoas inocentes ou apenas suspeitas.

os sertoes-euclides-da-cunha

Os Sertões, Euclides da Cunha (1902)

Esta obra é uma grande reportagem sobre a Guerra de Canudos (1896-1897), combate travado entre o exército brasileiro e o movimento popular liderado por Antônio Conselheiro, na cidade de Canudos, na Bahia. Com armamento rústicos e combatentes despreparados, a força de Antônio Conselheiro foi dizimada, mas antes resistiu a duas investidas militares e matou cerca de 5 mil soldados. Enviado especial do jornal O Estado de S. Paulo, Euclides da Cunha relata no livro tudo o que viu, além de contextualizar os motivos aparentes do conflito.

a-ilha-fernando-morais

A Ilha, Fernando Morais (1976)

A reportagem realizada pelo jornalista brasileiro sobre o país liderado por Fidel Castro foi um grande sucesso, não tão menos polêmico, nos anos 70. O livro traz Cuba sob várias perspectivas depois da revolução, como a urbanização do país, educação, saúde, imprensa, posição das mulheres, cultura e outros.

holocausto-brasileiro-daniela-arbex

Holocausto Brasileiro, Daniela Arbex (2013)

A história do Hospital Colônia de Barbacena e de alguns de seus 60 mil pacientes é contada em riqueza de detalhes pela jornalista mineira. Administrado pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais entre 1903 e a década de 1980, o hospital lucrou cerca de 600 mil com a venda de corpos. O livro aborda também a ausência de políticas e fiscalização na internação de pessoas, sendo recolhidos à instituição prostitutas, mendigos, homossexuais e pessoas de outros grupos marginalizados.

Leia Mais

Listamos 18 sugestões para sua próxima leitura

dica-livros-lettera

Neste domingo, 29 de outubro, é celebrado do Dia Nacional do Livro. Para comemorar a data com a atenção que o assunto merece, cada um de nós, aqui da Lettera, falou um pouco sobre seu livro preferido. Você está pensando na sua próxima leitura? Confira aqui algumas sugestões:

Vidas Secas, de Graciliano Ramos
Dica de Ieda Rodrigues
Começamos a lista com um clássico da literatura brasileira. Seus personagens, como a cachorra Baleia, seguem para sempre na memória de quem lê. “Um livro que narra vida árida, porém com muita humanidade, com economia e precisão nas palavras”.

O Tempo e o Vento, Érico Veríssimo
Dica de Luciana Oliveira
Outro clássico da literatura brasileira. Nesta obra, o autor reúne em sete livros as histórias das famílias Terra e Cambará, suas guerras e revoluções em nome do poder político. “No Rio Grande do Sul, fatos históricos misturam-se brilhantemente com a ficção”.

1984, de George Orwell
Dica de Wilson Vieira
Um romance distópico que narra as relações de uma sociedade onde a população vive constantemente observada e submetida às regras de um regime totalitário. Essa ficção, escrita em 1949, aborda temas que não perdem a pertinência. “Um livro que assombrosamente se mantém atual e disseca as engrenagens de regimes totalitários e inescrupulosos”.

A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin
Dica de Fabio de Souza
O primeiro livro da série escrita por George R. R. Martin é ideal para quem gosta de se aventurar no mundo da fantasia e deixar a imaginação fluir. “Gosto do tema de fantasia e dessa série pela capacidade do autor de criar um universo com elementos fantasiosos com capacidade de expandir nossa imaginação”.

Sandman, de Neil Gaiman
Dica de Luiz Arthuso
“Filho do tempo e da noite, Sandman é o perpétuo do Sonho, irmão de Desejo, Morte, Destino, Destruição, Desespero e Delírio. Precisei apenas disso para começar a ler obra que, ao lado de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, está em um lugar especial na prateleira de casa”.

O Clube do Filme, de David Gilmour
Dica de Marina Barrios
O livro, publicado em 2007, é uma biografia sensível escrita pelo crítico de cinema canadense David Gilmour, onde ele narra o período da sua vida em que o filho adolescente passou a morar com ele. Depois de várias tentativas de corrigir o comportamento do garoto, o jornalista resolve tirá-lo da escola e educá-lo por meio de filmes escolhidos pelo próprio crítico. “Gosto bastante deste livro por trazer um relato inusitado sobre o cotidiano de pai e filho e como deu certo essa forma de educar”.

Donnie Darko, de Richard Kelly
Dica de Fabiana Carvalho
Donnie Darko é um filme de 2001 que une suspense, drama e ficção científica.  No livro, além do roteiro original do filme, há uma entrevista com o diretor e também com o elenco original. “Então, para quem assistiu o filme pela primeira vez e não entendeu nada, o livro é uma ótima recomendação para esclarecer algumas coisas que ficaram subentendidas no filme”.

Amor, Liberdade e Solitude, de Osho
Dica de Livia Bagaiolo
Osho foi professor de filosofia e mestre de meditação. Sua obra trata das chagas da humanidade e paradigmas que foram postos no mundo com o passar do tempo. “Ele retrata sobre o amor próprio, o amor por Deus e o amor pelo próximo. O livro nos faz ser antes de sentir e além disso ajuda a nos levantar, a nos enfrentar e a conhecermos o verdadeiro amor para depois conhecer a verdade, a Deus e a nós mesmos. Osho desenvolveu um guia encantador, realista e sensato que nos leva, com desenvoltura, a compreender as complexidades da vida moderna e dos relacionamentos”.

Senzala, de Salvador Gentile
Dica de Edelma Martins
Esse romance narra a vida dos escravos a partir da visão da religião espírita. “Li esse livro há muito tempo e nunca mais esqueci a emoção que senti. Libertar-se da culpa é um dos pontos que me chamou atenção, dentro de uma história bem elaborada e cheia de ação. Um ótimo livro para manter-se alinhado com os pensamentos que promovem ascensão nas ideias positivas, mostrando a realidade de pessoas que passaram por situações parecidas aos dos personagens escravos e donos de terras de tempos atrás”.

Confesso que vivi, de Pablo Neruda
Dica de Rafael de Paula
Publicado em 1974, esse livro traz a autobiografia do poeta chileno. “Neruda é capaz de transformar coisas pequenas em gigantes reflexões sobre a vida e o ser humano. Vale cada palavra lida!”.

Chatô, o Rei do Brasil, de Fernando Morais
Dica de Carolina Mescoloti
Essa obra traz a biografia de Assis Chateaubriand, figura excêntrica e importante da história da comunicação no BrasilUm livro interessante que fala sobre a história da comunicação e a luta pelo poder político no período em que a televisão estava sendo implementada no Brasil.

Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert
Dica da Milene Góes
Uma autobiografia sensível e divertida, que narra as aventuras cotidianas da autora em um período sabático por Índia, Itália e ilha de Bali, na Indonésia. “Indico esse livro, pois mostra uma história de superação e coragem em busca do equilíbrio, liberdade e amor próprio”.

Cartas para Julieta, de Lise Friedman 
Dica de Silene Maldonado
O livro começa em outra história romântica: Romeu e Julieta. Diariamente, a cidade de Verona, na Itália, recebe cartas com remetentes de todo o mundo, que são encaminhadas a Julieta, a eterna personagem do romance de Shakespeare. Em Cartas para Julieta, acompanhamos a história dos voluntários que respondem essas cartas. “Eu gosto de histórias românticas e que transmitam verdades, adoro livro baseados em histórias reais”.

Eu sou Malala, de Malala Yousafzai
Dica de Gabriela Donatto
Essa autobiografia ganhou fama mundial por narrar a história de luta e coragem da ativista paquistanesa que se tornou a pessoa mais jovem a receber um Nobel. “Malala é um símbolo de luta pelo direito igualitário de gênero à educação. Mesmo diante da violência, a menina não desistiu de buscar conhecimento e liberdade para as mulheres paquistanesas. A biografia relata a triste realidade daquele local, onde vários direitos comuns aos cidadãos ocidentais são cerceados. Mas a vida da menina é um exemplo de que, mesmo diante de várias adversidades, é possível mudar um fragmento da realidade e que a educação é uma das principais ferramentas para essa transformação”.

O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
Dica de Lucien Luiz
Esse clássio da literatura francesa conquistou fãs em todo o mundo. É uma ficção que mostra, de forma encantadora, o diálogo entre um aviador perdido no deserto e um princepezinho vindo de outro planeta. “Este livro é aquele que te transforma a cada leitura. Um livro que serve para todas as fases da vida”.

O Processo, de Franz Kafka
Dica de Anai Nabuco
Imagine acordar certa manhã e descobrir que você está sendo processado por um crime que sequer cometeu e do qual pouco sabe a respeito. É esse o mote desse livro intrigante e perturbador. “É um clássico que nunca esteve tão atual”.

Capitães da Areia, de Jorge Amado
Dica de Irani Pontes
Os Capitães da Areia são crianças abandonadas que vivem pelas ruas de Salvador. O livro, de 1937, traz um crítica social bem amarrada pela descrição da realidade das crianças que vivem em situação de abandono. “É uma história marcante, com personagens fortes”.

Manuelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa
Dica de Carolina Bataier
Esse livro é dividido em dois contos: Campo Geral, que conta a história do menino Miguilim; e Uma estória de amor, onde o personagem principal é Manuelzão. “São duas histórias encantadoras. Miguilim é um menino que vive com a família num lugar distante, na zona rural. E Manuelzão é um senhor que está esperando por uma festa. A forma como o autor revela a visão dos personagens é de emocionar. Um livro inesquecível”.

Leia Mais